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POTÁVEL

Tanta era a sede minha,
Que quando bebi do frescor,
Da tua translúcida alma,
Não me perguntei se era potável,
Se dela podia beber como bebi,
Ou se meu corpo e espirito,
Iriam se envenenar com ela.
Nada sinto ainda,
Mas percebo, como que um verme,
Remexendo-se pôr dentro,
De minhas entranhas empíricas,
Não sofro dor ou a sombra da morte,
Mas sei que algo se move,
E se transforma, tomando porte,
E tomando também conta....
Um pouco de ti,
Que nem sei quem é,
Usurpando o espaço meu,
Que até tão pouco,
Só a mim mesmo pertencia.
Não sei se cresço, morro,
Ou somente me transformo,
Mas sei que o preço parece pouco,
E que beber mais, é minha sina,
Meu destino retinto,
Nas cores de uma moléstia,
Que só faz me fazer,
Embriagar e sorrir....