| 8 | POTÁVEL Tanta era a sede minha, Que quando bebi do frescor, Da tua translúcida alma, Não me perguntei se era potável, Se dela podia beber como bebi, Ou se meu corpo e espirito, Iriam se envenenar com ela. Nada sinto ainda, Mas percebo, como que um verme, Remexendo-se pôr dentro, De minhas entranhas empíricas, Não sofro dor ou a sombra da morte, Mas sei que algo se move, E se transforma, tomando porte, E tomando também conta.... Um pouco de ti, Que nem sei quem é, Usurpando o espaço meu, Que até tão pouco, Só a mim mesmo pertencia. Não sei se cresço, morro, Ou somente me transformo, Mas sei que o preço parece pouco, E que beber mais, é minha sina, Meu destino retinto, Nas cores de uma moléstia, Que só faz me fazer, Embriagar e sorrir.... |